A correia dentada é um dos componentes mais importantes, silenciosos e subestimados de todo o conjunto mecânico do seu automóvel.
A principal função dessa peça é sincronizar perfeitamente o movimento de abertura e fechamento das válvulas com a subida e descida dos pistões.
Se essa orquestra mecânica perder o ritmo por causa de uma correia desgastada, o prejuízo financeiro para o proprietário será absolutamente gigantesco.
Neste artigo, vamos ensinar você a identificar os indícios de desgaste e entender por que adiar essa manutenção é um erro gravíssimo.
Um dos primeiros e mais comuns indícios de que a correia dentada está perdendo a sua tensão original é a mudança drástica no som do motor.
Você pode começar a ouvir um chiado agudo contínuo ou um ruído metálico ritmado vindo diretamente da parte frontal do bloco do veículo.
Esse som anormal costuma ficar muito mais evidente quando o carro está em marcha lenta ou logo após a primeira partida do dia.
Jamais ignore esse aviso sonoro constante, pois ele indica que o tensionador pode estar falhando ou a correia está raspando nas guias plásticas.
Quando a borracha da correia dentada está muito gasta ou com os dentes corroídos, o sincronismo milimétrico do motor fica completamente comprometido.
Isso resulta em uma enorme dificuldade para dar a partida pela manhã, exigindo que você gire a chave na ignição por muito mais tempo.
Além disso, com o motor fora do “ponto”, o carro pode apresentar trancos bruscos e uma perda repentina de força durante acelerações mais exigentes.
Se o seu carro está engasgando em subidas leves e você já checou as velas, o problema pode estar escondido na sincronização da correia dentada.
O funcionamento fora de sincronia força o motor a trabalhar muito mais pesado para conseguir entregar o mesmo nível de desempenho anterior.
Para compensar essa deficiência mecânica grave, o sistema de injeção eletrônica começa a enviar uma quantidade bem maior de combustível para os cilindros.
Se você notar que as idas ao posto de gasolina ficaram muito mais frequentes, mesmo sem nenhuma mudança na sua rota habitual, acenda o alerta.
Fazer essa checagem o quanto antes não apenas previne acidentes mecânicos, como também ajuda a estancar esse vazamento de dinheiro direto do seu bolso.
Um motor dessincronizado por falha iminente na correia não consegue realizar a queima completa e eficiente da mistura de ar e combustível.
O resultado direto e visível dessa combustão imperfeita é a eliminação de um volume excessivo e constante de fumaça pelo escapamento do veículo.
Dependendo do grau do problema de sincronia, essa fumaça pode apresentar uma coloração mais escura e um odor muito forte de combustível cru.
Esse é um sinal claro de que o motor está trabalhando sob extremo estresse e precisa de intervenção profissional imediatamente.
Em alguns modelos de veículos, é possível remover uma pequena capa plástica lateral e inspecionar a peça visualmente com o motor totalmente desligado.
Se a borracha apresentar pequenas rachaduras, um aspecto esbranquiçado de ressecamento ou a ausência de alguns “dentes”, a situação já é crítica.
Nesses casos extremos, o rompimento definitivo é apenas uma questão de poucos quilômetros rodados, e a substituição precisa ser agendada para ontem.
Nunca passe nenhum tipo de produto químico, spray ou lubrificante na correia tentando “hidratar” a borracha, pois isso acelerará o seu rompimento.
O manual do proprietário é a verdadeira bíblia do seu carro e deve ser sempre a sua principal referência oficial para o prazo de troca.
Em média, a grande maioria das montadoras recomenda a substituição do kit da correia dentada entre 50.000 km e 60.000 km rodados.
Contudo, se o carro for pouco utilizado no dia a dia, a borracha também sofre degradação pelo tempo e deve ser trocada a cada três anos.
Se você comprou um carro seminovo e não possui o histórico confiável de manutenção do antigo dono, troque a correia preventivamente sem pensar duas vezes.
Adiar a troca preventiva dessa peça é, sem nenhuma dúvida, a pior economia que um motorista pode tentar fazer em toda a sua vida.
Se a correia estourar com o carro em movimento, as válvulas pararão de funcionar e os pistões vão se chocar violentamente contra elas.
O custo para retificar o cabeçote, trocar as válvulas empenadas e reparar esse motor destruído pode facilmente ultrapassar a marca de R$ 5.000,00 ou mais.
Em contrapartida, o kit completo com a correia nova, o tensor e a mão de obra especializada raramente custa mais do que 10% desse valor assustador.
Sempre troque o tensor da correia simultaneamente. Se o tensor antigo travar com o tempo, ele romperá a correia nova, causando a mesma destruição no motor.
Não. A corrente de comando é metálica, trabalha banhada a óleo interno e geralmente dispensa trocas, enquanto a correia dentada é de borracha e exige manutenção.
De forma alguma. É um serviço altamente complexo que exige ferramentas específicas para travar o motor no ponto exato de sincronismo. Procure sempre um profissional.
A correia dentada é traiçoeira, pois ela não dá muitos avisos claros antes de se romper de forma catastrófica e deixar você a pé.
A manutenção preventiva rigorosa é o único e verdadeiro caminho seguro para proteger o seu patrimônio e garantir viagens tranquilas com a sua família.
Não espere o pior acontecer para tomar uma atitude. Agende uma visita ao seu mecânico de confiança e faça uma inspeção completa ainda nesta semana.
Você sabe exatamente quantos quilômetros já rodou com a correia atual do seu carro? Deixe sua dúvida nos comentários e compartilhe este alerta de ouro!